Vacina e Febre: o que fazer? PDF Imprimir E-mail

Não é preciso ser profissional da saúde para saber que seu filho pode apresentar febre após ser vacinado. Um problema adicional é a sempre temida convulsão febril. Mas o que se pode fazer para evitar que a vacina cause febre?

Alguns conselhos podem ser úteis:

 

1- Não deixe de vacinar seu filho, mesmo que as experiências anteriores tenham sido desagradáveis e você tenha passado noites acordado cuidando de seu bebê. Isso faz parte da missão de pai e mãe.

2- A febre causada pela vacina não é consequência somente da ativação do sistema imune, objetivo do medicamento. Os adjuvantes farmacotécnicos, principalmente os conservantes presentes na formulação, podem desencadear processos febris. Esses conservantes se depositam no fundo do frasco da vacina; por isso, é muito importante que o pessoal de enfermagem seja orientado para homogeneizar o frasco antes de cada aplicação, desde a primeira até a última dose. Caso contrário, as crianças que receberem as últimas doses receberão também uma maior quantidade de conservantes e, com isso, terão maior probabilidade de desenvolverem febre.

3- Vacinas acelulares, produzidas por bactérias modificadas geneticamente, normalmente não causam febre. Entretanto, somente algumas doenças podem ser imunizadas por essa técnica. Adicionalmente, elas não estão disponíveis nos serviços públicos de saúde e, por isso, não são todos que podem arcar com o seu custo.

4- Confie nas vacinas aplicadas nos postos de saúde, porque neles trabalham profissionais treinados e competentes para cuidar das vacinas, desde seu recebimento, armazenagem e administração e, além do mais, é um direito de todo cidadão.

5- Se seu filho estiver com alguma infecção, febre ou debilitado, não o vacine antes de se aconselhar com um pediatra.

6- Muito cuidado ao administrar antitérmicos a crianças, todos eles são potencialmente tóxicos. O paracetamol, um dos mais usados, pode causar insuficiência hepática e renal, mesmo em doses terapêuticas. Apesar do medo da agranulocitose causada pela dipirona (não comprovada cientificamente), este medicamento tem efeito anticonvulsivante, como demonstrou alguns estudos recentes, o que é um atrativo a mais para sua indicação como antitérmico.

7- Procure intercalar antitérmicos de classes químicas diferentes. Por exemplo: dipirona/paracetamol/ibuprofeno, com intervalo de, no mínimo, 4 horas entre cada medicamento.

8- Procure controlar a febre com procedimentos não medicamentosos: mantenha a criança em local arejado e fresco, mas não a exponha a correntes de vento; dê um banho com água morna; use roupas leves que a protejam do frio sem contudo aquecê-la exageradamente; evite alimentar a criança durante os picos febris, pois ela pode vomitar e se sufocar.

9- Não use antitérmicos para prevenir a febre pós-vacina (uso profilático). Estudos publicados na revista The Lancet, demonstraram que o uso de antitérmicos profiláticos pode reduzir a resposta à formação de anticorpos a vários antígenos vacinais, conforme notícia vinculada no Portal News.Med (veja aqui).

10- Não use medicamentos sem a devida prescrição médica e acompanhamento de um farmacêutico e muito cuidado com receitas caseiras de plantas medicinais, principalmente para crianças e idosos.

11- Não use e não deixe usar algodão embebido em álcool como antiséptico no local onde será aplicada a vacina. O álcool pode inativá-la.

Prof. Dr. Luiz Henrique Amarante